O significado e a universalidade do pecado
O catecismo menor (pergunta 14) define pecado
deste modo “... é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer
transgressão desta lei”.
“Pois qualquer que guarda toda a lei, mas
tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos”(tg 2.10).
“Portanto, aquele que sabe que deve fazer o
bem e não o faz nisso está pecando
”(tg 4.17).
“Todo aquele que pratica o pecado também
transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei”(1Jo 3.4).
Peca significa agir de maneira contrária aos princípios
expressos por Deus em sua palavra.
O pecado é o grande nivelador de toda a
humanidade: todos pecaram; todos estão no mesmo nível; não há lugar para arrogância
ou supostas boas obras justificadoras.
“Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos
que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável
perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei,
em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”(Rm 3.19-20).
Se todos pecaram, isso significa que nós também
pecamos; se todos precisam de salvação, significa que nós também precisamos.
Na oração do pai-nosso (Mt 6.9-13) temos um
indicativo da universalidade do pecado, como afirma W. Barclay: “O fato de Jesus
ensinar a todas as pessoas a fazer essa oração demonstra a universalidade do pecado;
e para repetir essa oração se requer sentido de pecado”.
As Escrituras asseveram que todos pecaram “pois
todos pecaram e carecem da glória de Deus”(Rm 3.23).
O pecado nos fez cativo.
“Replicou-lhes
Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do
pecado”
(Jo 8.34).
“Porque, quando éreis escravos do pecado,
estáveis isentos em relação à justiça”(Rm 6.20).
“mas vejo, nos meus membros, outra lei que,
guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que
está nos meus membros”(Rm 7.23).
Habitando em nós.
“Neste
caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu
sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o
bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro,
mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou
eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim”(Rm 7.17-20)
Mantendo-nos sob seu domínio. Portando, negar
a nossa condição de pecadores é negar a própria Palavra de Deus, que diz “Se
dissermos que não temos cometido, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está
em nós”(1Jo 1.10). “Não ser consciente de pecado algum é o pior pecado de todos”.
A comunhão com Deus foi interrompida.
O pecado separou o homem do Deus santo, justo, puro e
sublime “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso
Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça”(
Is 59.2), pondo-o no num estado de rebelião contra Deus “Estendi as minhas mãos
o dia todo a um povo rebelde, que anda por caminho, que não é bom, após os seus
pensamentos”( Is 65.2).
O
homem está morto
O salário (justo pagamento) do pecado é a morte de todos “Portanto,
assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte,
assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”(Rm 5.12)
“porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de
Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”(Rm 6.23).
A Bíblia
lista três tipos de morte decorrentes deste mal:
1.
Física: separação da alma e corpo, pela qual todos os homens terão de passar - com exceção dos que estiverem vivos quando
Cristo retorna em glória.
“E o pó volte à terra, como o era,
e o espírito volte a Deus, que o deu”(Ec 12.7).
2. Morte
espiritual: interrupção da comunhão com Deus – pois a vida esta em Deus, e sem
comunhão com Ele estamos mortos.
“Mas as vossas iniqüidades fazem
separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de
vós, para que não vos ouça”(Is 59.2).
3.Morte eterna:
a interrupção e definitivamente da comunhão com Deus. – quem morre fisicamente,
estando morto espiritualmente, esta morto eternamente para Deus, sem
oportunidade de arrependimento.
“E, como aos
homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo”(Hb 9.27)
O pecado lançou o homem num estado de miséria
espiritual contra qual nada pode fazer.
“Ouvindo isto, os discípulos ficaram
grandemente maravilhados e disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo? Jesus,
fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus
tudo é possível”(Mt 19.25-26)
“Não vem das obras, para que ninguém se
glorie”(Ef 2.9)
“sabendo,
contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em
Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados
pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será
justificado”(Gl 2.16).
Isto torna todos
dependentes única e exclusivamente da salvação de Deus manifestada em Cristo.
Jesus
Cristo, o único Salvador
Prometido por Deus
Após o
pecado de Adão e Eva, e a decorrente a punição, Deus fez uma promessa:
“E porei inimizade entre ti [serpente =
Satanás; cf. Ap 12.9; 20.2]e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente;
esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”(Gn 3.15).
“Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti
e a tua descendência..”(Gn 17.7)
“...estas foram as primeiras palavras de
graça a um mundo perdido”, o pronto-evangelho, o primeiro vislumbre histórico de
Jesus Cristo (Mc 1.1), que viria em graça restaurar seu povo á comunhão com
Deus, tornando-se o segundo Adão. Se não descendesse do primeiro casal, a
promessa de Deus teria falhado e Cristo não poderia ser o representante legítimo
do seu povo. Porém, se pecasse, seu sacrifício não teria valor vicário, pois
precisaria, nessa hipótese, ter seus pecados expiados. Entretanto, a Bíblia
afirma que Jesus veio da “semente” da mulher.
“Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim:
estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado,
achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a
querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas
coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho
de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do
Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele
salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu para que se
cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta:
Eis que a virgem conceberá e dará à luz um
filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel
(que quer dizer: Deus conosco). Despertado
José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. Contudo,
não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus”(Mt
18-25)
Sendo verdadeiramente
homem – não obstante ser verdadeiro Deus -, mas sem pecado.
“Quem dentre vós me convence de pecado? Se
vos digo a verdade, por que razão não me credes”(Jo 8.46)
“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez
pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”(2Co 5.21)
“Por isso mesmo, convinha que, em todas as
coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo
sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados
do povo. Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso
para socorrer os que são tentados”(Hb 2.17-18)
“por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de
superior aliança.
Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior
número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque
continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode
salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para
interceder por eles.
Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote
como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais
alto do que os céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de
oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados,
depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se
ofereceu. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza,
mas a palavra do juramento, que foi posterior à lei, constitui o Filho,
perfeito para sempre”(Hb 7.22-28)
“Era necessário, portanto, que as figuras das
coisas que se acham nos céus se purificassem com tais sacrifícios, mas as
próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores. Porque Cristo
não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo
céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus; nem ainda para se
oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santo
dos Santos com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse
sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem
os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de
si mesmo, o pecado. E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez,
vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez
para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado,
aos que o aguardam para a salvação”(Hb 9.23-28)
Jesus cumpriu o propósito de Deus a despeito
das tentativas de Satanás para frustrá-lo. Apesar da gravidade do pecado humano
e de suas consequências, Jesus venceu. A graça de Deus é mais forte que a obra
pecaminosa do homem: a vida é mais forte que a morte
“Portanto, assim como por um só homem entrou
o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos
os homens, porque todos pecaram. Porque até ao regime da lei havia pecado no
mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei. Entretanto, reinou
a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança
da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir. Todavia, não é assim o dom gratuito como a
ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça
de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre
muitos”(Rm 5.12-15)
“Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os
mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Visto que a morte veio por um
homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como,
em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. Cada um,
porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de
Cristo, na sua vinda. E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus
e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e
poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo
dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas
sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas,
certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as
coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará
àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos”(1Co
15.20-28)
“Pois assim está escrito: O primeiro homem,
Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante. Mas
não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual. O primeiro
homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Como foi o
primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é
o homem celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem
do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial”(1Co 15.45-49)
“Graças a Deus, que nos dá a vitória por
intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede
firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no
Senhor, o vosso trabalho não é vão”(1Co 15.57-58)
Como escreveu Calvino: “Cristo suplantou a
Adão, o pecado deste é absorvido pela justiça de Cristo. A maldição de Adão é destruída
pela graça de Cristo, e a vida qua cristo conquistou tragou a morte que
procedeu de Adão”
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