sexta-feira, 8 de março de 2013


O propósito de Deus: Predestinação e Pré-Conhecimento. 


“Eu vos tenho amado, diz o Senhor; mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não foi Esaú irmão de Jacó? – disse o Senhor; todavia, amei a Jacó” (Ml 1.2).

“Predestinação” é uma palavra usada com frequência para significar a preordenação de todos os eventos determinados por Deus na historia do mundo passado, presente e futuro. Esse uso é muito apropriado. Contudo, nas Escrituras e na teologia histórica protestante, “predestinação” se refere especificamente à decisão de Deus tomada na eternidade, em relação ao destino final de pessoas individuas, antes de o mundo existir. Em geral, o Novo Testamento fala de predestinação ou eleição de pecadores particulares para a salvação e para a vida eterna.

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29).

“assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.4-5).

“nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11).

As Escrituras também ocasionalmente atribuam a Deus antecipada decisão a respeito dos que, finalmente, não foram salvos.

“E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa. Porque a palavra da promessa é esta: Por esse tempo, virei, e Sara terá um filho. E não ela somente, mas também Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai. E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú. A rejeição de Israel não é incompatível com a justiça de Deus Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés:Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz. A soberania de Deus Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade? Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? Assim como também diz em Oséias: Chamarei povo meu ao que não era meu povo; e amada, à que não era amada; e no lugar em que se lhes disse: Vós não sois meu povo, ali mesmo serão chamados filhos do Deus vivo. Mas, relativamente a Israel, dele clama Isaías: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo. Porque o Senhor cumprirá a sua palavra sobre a terra, cabalmente e em breve; como Isaías já disse: Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado descendência, ter-nos-íamos tornado como Sodoma semelhantes a Gomorra” (Rm 9.6-29).

“e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos” (1Ped 2.8).

“Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Jd 4).

Por essa razão, é frequente, na teologia protestante, definir a predestinação mediante a inclusão tanto da decisão de Deus de salvar alguns do pecado (a eleição) como a correspondente decisão de não salvar outros (reprovação). Com frequência, afirma-se que a escolha que Deus faz de indivíduos para a salvação está baseada no seu pré-conhecimento de que eles escolheriam a Cristo como seu salvador. Pré-conhecimento, nesse caso, significa que Deus prevê passivamente o que os indivíduos farão, independentemente de preordenação de Deus com relação às ações deles. Porém há pesadas objeções ao ponto de vista de que a eleição está baseada numa previsão passiva.

“Conhecer de antemão”.

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29).

“Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura refere a respeito de Elias, como insta perante Deus contra Israel, dizendo:” (Rm 11.2).

“eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas. conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1Ped 1.2,20).

Esses textos acima indicam não só o conhecimento antecipado que Deus tem, mas também a escolha antecipada que Deus faz do seu povo. Não expressa a idéia da provisão passiva que um espectador tem daquilo que vai acontecer espontaneamente. O conhecimento que Deus tem do seu povo nas Escrituras implica um relacionamento especial de escolha por amor (G19.18).

Posto que todos estão naturalmente mortos no pecados (separados da vida de Deus e indiferentes para com ele), ninguém que ouve o evangelho pode chegar ao arrependimento e à fé sem receber a renovação interior, que só Deus pode conferir.

“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”  (Ef 2.4-10).

Jesus disse: “ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (João 6.65).

“Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair” (João 6.64).

“Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10.25-28).

Pecadores escolhem a Cristo porque Deus os escolheu primeiro e levou-os a essa escolha pela renovação de seu coração mediante a graça. Ainda que todos os atos humanos sejam livres, no sentido de uma autodeterminação imediata, esses atos são também executados dentro da preordenação e propósito eterno de Deus. temos dificuldade em compreender precisamente de que maneira se compatibilizam a soberania divina e a liberdade e responsabilidade humanas, mas as Escrituras, em toda parte, pressupõem que são compatíveis.

“sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At 2.23).

“para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram” (At 4.28).

Os cristão devem agradecer a Deus por sua conversão, pedir que Ele os guarde em sua graça e esperar, com confiança, por seu triunfo final, de acordo com seu plano. 

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